...ou como eu tenho estado cansada da vida, com uma mente perturbada e esperando por uma ajuda divina.


Essa não é a primeira, e nem será a última vez na vida na qual eu penso sobre morrer. Não, morrer não, sobre nunca ter existido. Ou sobre como querer ter uma vida boa, sem essa ferida no peito que não parece cicatrizar nunca. Depois de anos, terapias, conversas, medicamentos, mudanças de vida, eu nunca me imaginei nessa situação novamente, mas aqui estou... Em pleno setembro amarelo (irônica, a vida? Imagina...).

Primeiramente, eu gostaria de esclarecer que, apesar de estar falando sobre suicídio, eu não estou pensando verdadeiramente nisso. Para ser considerado "suicida" não é necessário fazer planos ou realmente tentar alguma coisa contra a sua própria vida. Basta querer não existir, não conseguir levantar da cama, enfim, sentir aquele tristeza enorme e a sensação de que a vida não faz sentido. É estranho, porque ao mesmo tempo em que eu sonho e desejo tantas coisas, tudo me parece inalcançável. É como se a vida fosse feita para as outras pessoas, não para mim. Como se todas elas compartilhassem o segredo de como viver, segredo o qual desconheço. É como se eu sempre estivesse fora dessa dinâmica, não sabendo exatamente como agir diante das mais variadas situações. Eu não estou jogando para valer.

É não é uma simples questão de escolha. É uma questão de situação emocional. Minha situação emocional atual faz com que eu queira ficar o dia inteiro na cama, isolada no meu quarto, mesmo sabendo que isso não resolve problema nenhum (pelo contrário, piora as coisas). Minha situação emocional atual faz com que eu queira desistir da faculdade, simplesmente porque tomar uma cartela de comprimidos seria "mais fácil" do que levantar cedo todos os dias. "Mais fácil", entre aspas mesmo, porque obviamente não é mais fácil. Eu costumo dizer que o suicídio não é uma opção, se ele é a única opção que você tem.

Eu não gostaria que as coisas fossem dessa maneira. Eu não gostaria que a minha vida funcionasse de forma a cair num abismo enorme todas as vezes em que as coisas começam a melhorar minimamente. Eu não gostaria de perder tudo sempre que alguma coisa parece fazer sentido. Mas é assim. E agora, o que fazer?

Fica a pergunta no ar, essa interrogação incômoda que ninguém pode responder. Que fazer quando os medicamentos não funcionam mais, quando a terapia parece uma bagunça, quando nada parece fazer sentido? Nós continuamos acordando cedo, nós continuamos convivendo com as pessoas como se aquela vontade imensa de chorar não existisse; nós continuamos a fazer os trabalhos da faculdade, a tomar banho, comer, ver televisão, porque é preciso. É preciso fingir que tudo está normal, mesmo quando o mundo está, na verdade, desabando. Uma hora passa. Continue, porque uma hora passa.

Será?

4 Comentários

  1. Oi, Snow.

    Fiquei mais tranquila ao ler que você não está pensando de fato em cometer tal ato. E eu realmente não sei o que te dizer.

    Eu não me lembro de quase nada do que aconteceu em 2015, pois tomei doses cavalares de calmantes durante todo o ano. Eu dormi por quase um ano inteiro e quando "acordei" estava me sentindo mais cansada que nunca. Suicídio foi um tema frequente na minha mente, mas nunca tomei a decisão final. Continuo aqui. E acho que foi por isso que achei tão intensa a maneira como você encerrou o post: "Continue, porque uma hora passa. Será?". Os calmantes passaram, mas os pensamentos nunca de fato cessaram. Ultimamente tenho tido mais dias bons do que ruins - ou apenas tenho funcionado melhor, talvez. Mas acho que nunca me verei livre desse pensamento. Depois de tanto tempo pensando no assunto, ele meio que se tornou parte de mim. Sei lá. Não sei como encerrar essa linha de pensamento que eu estava seguindo no comentário.

    Espero que você permaneça longe desses pensamentos, ou ao menos que não decida seguir esse caminho. Fique bem, Snow.

    Um beijo, V.
    https://aborboletavalentina.wordpress.com/

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  2. Eu me sinto feliz no conforto dos remédios. Eles me fazem querer pensar menos. Espero não exagerar na dose por uma segunda vez.
    É o que vc disse, fingimos sermos normais. Mas eu não sei se consigo continuar com isso, acho que sou profunda demais para me preocupar com o banal. Há um abismo dentro de mim.
    Uma hora passa, essa questão se repete em minha mente. Acho que estou pensando demais.
    Quero ficar longe destes pensamentos. Espero que você também.

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  3. Snow,

    Eu uso os remédios como bengala na minha vida, é como se eu fosse manca sem eles... Mas uma hora passa, uma hora a gente aprende a andar com nossas pernas! Temos que acreditar nisso.
    Como você ta? Dá noticias por aqui!

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  4. Hey... Bonequinha de gelo, onde está você ?

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